segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

memórias e saudades

Garra, força de vontade, alegria e muito amor, assim que descrevo minha avó.
As vezes achava que era um anjinho, um ser muito especial e iluminado.
Minha infância foi muito feliz. Ela ficava o dia inteiro comigo e meu irmão. íamos na pracinha, brincávamos aos montes. Ela jogava pião, bolinha de gude, fora as comidas que preparava para nós.
Gostava de cantar e contar histórias de sua infância no sertão. Dos banhos de rio nas noites de lua cheia, nas rodas de histórias que faziam com os mais velhos e crianças, no trabalho, na roça onde acordava e dormia no mesmo horário das galinhas.
Nas férias de verão fazia potes e mais potes de sorvete, biscoitos de nata, doce de leite, bolinhos de chuva e cuscuz de milho, que amo até hoje.
Seu café da manhã era uma delícia, preparado com muito suco de laranja, frutas, pães, etc.
Dizia que eu tinha nascido na cidade errada, pois nunca tinha visto uma carioca que gostava tanto de comida nordestina. Eu sempre me identifiquei com as raízes da minha avó.
Na adolescência comecei a me interessar por música nordestina e ouvia Alceu Valença, Jackson do Pandeiro e colocava no rádio para ouvirmos juntas.
Minha avó não morava conosco, mas vivíamos muito próximo, na mesma rua. Ela ia para nossa casa as 5 da manhã, fazia nosso café da manhã e só voltava para casa quando minha mãe chegava a noite.
Nos finais de semana ela dizia que iria ficar em casa para nós descansarmos dela, mas não dava dois minutos que saímos correndo para ficar com ela.
Gostava de ouvir suas histórias da infância na roça, nos banhos de rio, da inocência, dos frevos e maracatus, assim como dos bailes de carnaval que frequentava aqui no Rio e sia vida na tão adorada cidade Maravilhosa. A primeira vez que viu o mar e suas canções.

Nenhum comentário:

Postar um comentário