No dia 30 de abril de 1929, nasceu um broto de rosa no Sertão Pernambucano. Sertânia de muita história e memória.
De uma família de sete irmãos, a segunda mais nova, Rosa sempre foi uma criança feliz.
Seu pai nem conheceu, sua mãe, mulata, filha de negro com holandês, teve sete filhos, quatro mulheres e três homens. Mulher forte que perdera o marido cedo com muitos filhos para criar, acabou morrendo também de uma doença que se alastrava no sertão naquela época: Febre Amarela.
Rosa e seus irmãos, sem pai nem mãe, viram sua família se despedaçar. Seus familiares próximos não tinham como sustentar uma família tão grande e os filhos foram divididos. Os irmãos foram divididos pelos tios. Uns ficaram com os tios, dois com outros e sobrou rosa. Quem iria ficar com ela? Não tinha mais ninguém por perto da familia para ficar com ela.
Uma família de circenses se ofereceram para ficar com ela, uma família que tinha filhos homens e o sonho da mãe era ter uma menina, e Rosa foi morar junto a eles.
Sua tia distante quando soube que sua sobrinha estava morando com estranhos, apareceu para buscá-la.
Tia Lina, cega que morava em outro vilarejo distante falou: -minha sobrinha tem que ficar comigo!! Ela é sangue de meu sangue. E lá foi a florzinha para sua casa.
A cidadezinha se chamava Jacú, e foi para lá que nossa flor do sertão foi morar.
Tia Lina, ficou cega cedo, repentinamente. Ninguém sabia como explicar, perdeu a visão num dia como outro qualquer.Voltou de suas brincadeiras de criança e derrepente não enxergava mais.
Morava numa fazenda e vivia muito bem sem sua visão. Morava com sua outra irmã Cassiana e trabalhavam juntas na roça. Não tinham muitas condições financeiras, mas tinham muito amor para dar a Rosinha.
Ela cresceu muito feliz com suas tias. Quando fez sete anos, foi morar na casa da fazenda para aprender a cuidar da casa e das crianças. Não pode estudar, pois teve que trabalhar para ajudar suas tias.
Sempre gostou muito de crianças e bichos. Ela os encantava de uma forma inexplicável. Acabou virando babá. Desde cedo cuidava de outras crianças. Com 17 anos ficou noiva de um rapaz em Recife, mas acabou não se casando com ele, porque seu sonho sempre foi morar na cidade do Rio de Janeiro.
A oportunidade de tornar seu sonho realidade apareceu. A família em que trabalhava vinha para a cidade maravilhosa e perguntaram se ela queria vir junto. Seu sonho se tornaria realidade e é claro que ela disse sim.
Veio de navio, na primeira classe. Ficou maravilhada com a viagem que durou quase uma semana. Amou a cidade e quando chegou na casa que iria trabalhar deram um quartinho minúsculo para ela, chorou a noite inteira de tristeza.
Ela me disse que depois que veio para o Rio de Janeiro que não sairia mais daqui, que era seu lugar.
Claro que demorou um tempinho a adaptação.
Saiu de Recife direto para Copacabana,
Quando via os manequins das lojas, dava bom dia para eles.
A primeira vez que viu um caqui achou-o tão bonito e grande que resolveu comprá-lo e colocá-lo na salada, achando que era um tomate.
Com o tempo foi fazendo amizades. Fazer amizades era com ela mesma. Seu sorriso contagiava e sua alegria enchia qualquer ambiente.
Se divertia e paquerava bastante.
Não casou, foi mãe solteira e soube dar todo o amor e mais um pouco para a minha mãe.
Em 1949, nossa flor fez brotar uma outra rosa. Não foi fácil criar uma filha sozinha, ainda mais naquela época.
Com 24 anos descobriu que tinha uma doença aguda, doença essa que a deixava com dores insuportáveis em seu corpo.
Muitos médicos achavam que ela não ia sobreviver muito tempo e ela com uma filha pequena foi correndo ver se alguém podia ficar com sua filha em sua terra natal, mas não tinha com quem deixá-a.
Resolveu voltar e lutar contra a doença.
Com muita força de vontade e bondade, viveu muito mais do que os médicos que deram dois anos de vida para ela.
Muitas vezes não conseguia nem andar direito, mas não deixava de cumprir com suas tarefas e obrigações e muito menos de sorrir e dar amor e carinho para todos a sua volta.

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